quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dê esperdiçando

Luisa, a respeito do post anterior: "E por que tudo acaba em pizza?"

Não sei se tudo acaba em pizza. Mas parece que a pizza acaba com tudo quanto é problema. Achei essa belíssima explicação para a expressão que tanto cabe à nossa gororoba política cotidiana (vale a pena ler):
http://www.teclasap.com.br/blog/2007/11/23/vocabulario-acabar-em-pizza/

Quem se deu a esse breve trabalho de ler o texto acima vê que, mesmo sendo os novaiorquinos os maiores consumidores de pizza do mundo, seu idioma não chega nem aos pés do nosso brasileirês, especialmente quando se trata de patavinas como as soluções de nossos problemas políticos. Triste, mas é verdade.

Agora, de lado a situação corrupcionistíca brasileira, nem tudo acaba em pizza. Algumas coisas acabam mesmo em cachaça, chocolate e casa. Aliás, muitas coisas acabam em casa. Na minha, por exemplo, só não deixo acabar o pó de café, porque sem ele não tem como começar (o dia ou o trabalho).

O que me remete ao um assunto muito sério, que é a sacanagem do desperdício. Num planeta em que tantos passam fome (ou pelo menos é isso que nos fazem acreditar, mas nesse caso, a propaganda é boa mesmo, porque eu creio piamente), acho o cúmulo do absurdo desperdiçar comida. E haja restaurante, especialmente fastfood, pra fazer isso. Em casa, contudo, é mais grave ainda. Jogar comida fora me dá um embrulho no estômago (e não o contrário, como muitos imaginariam e certamente fazem). Deixar no prato, então, nem pensar! Deve ser trauma de criança, mas como até o último bago do arroz. Nem água de cozinhar macarrão eu jogo fora, aproveito para alguma outra coisa.

E é assim que gosto de me considerar uma esperdiçadora. Sim, porque se desperdiçar é jogar fora sem necessidade - ou, segundo um dicionário da época em que minha vó era virgem em que pesquisei, "malbaratar" - o contrário só pode ser esperdiçar. Prefixo "de" indica negação, correto? Depreciar, degenerar. De-esperdiçar, é só contrair o e sobressalente.
Ou melhor, que não se contraia. Dê + esperdiçar é uma ótima combinação. Dê esperdice: isto é, em vez de gastar a toa e/ou jogar fora, doe para quem precisa isso tudo aí que está sobrando.

E, a propósito, dê esperdicemos essa pizza.


quarta-feira, 17 de junho de 2009

O X da questão

Nessa onda (nada recente) de se tomar emprestado (apesar de nunca devolver, então acho que já virou usucapião) palavras estrangeiras, nos deparamos com falácias que, se não lisonjeiam nossa pecável comunicação oral, certamente servem como fonte de diversão.

O cheeseburger. Em qualquer lanchonete (digo lanchonete mesmo, esqueça por ora os fastfood internacionais) é possível encontrá-lo, embora nem sempre seja possível identificá-lo, dadas suas inúmeras variações: xisburguer, cheseebúrguer, xeseburguer, chisburguer, x-burguer. Sem contar os derivados, os x-egg, x-bacon, x-tudo. O "x" da questão é: será que alguém se deu ao trabalho de perceber que X, xis, ou, na realidade, cheese, é tão somente "queijo" em inglês? Eu sei, parece óbvio (porque é mesmo), e é muito claro no cheeseburger original: cheese-burger → hambúrguer com queijo.

[Abro aqui um parêntese quanto ao hambúrger em si. Que raio de palavra é essa? Por que não “bife de carne moída”, ou no contexto mais global, “sanduíche de carne”? Acredito que nem os próprios hamburgueses sabem o motivo de a tal carne ter o nome de sua naturalidade.]

Os derivados. De volta ao “x”, ficou claro que cheeseburger nada mais é que hambúrguer com queijo. Com uma pequena abstração se chega nos cheese-egg ou cheese-bacon (ou, quem sabe, cheese-egg-bacon). Ora, mas se deixarmos de lado o bacon (um mero toucinho cujo nome mudou sabe-se-lá-porque), o ovo (egg) e o queijo (cheese) são palavras que EXISTEM no nosso idioma. Diferentemente do metido do hambúrguer, que ganhou um “u” entre o g e o e, tornando-se (puff!) magicamente parte do português (pelo menos enquanto essa regra existir, pois como está na moda reformar a ortografia, não sabemos a tendência de amanhã), egg e cheese possuem seus correspondentes.

Não me conformo. Desde quando x-egg é mais elegante que “sanduíche de ovos e queijo”? Se é que nesse aí tem de fato o hamburguer, porque o próprio “búrguer” costuma ser suprimido. Isso quando não é o caso de se comprar um x-egg-burguer e descobrir que a carne (o hambúrguer), na verdade, era um presunto - ou apresuntado, o aspirante a presunto.

O campeão. Com isso, o pior de todos é o x-tudo. Com a supressão do hambúrguer, um x-tudo pode ser qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. E “tudo” depende da variedade de recheios do lugar (eca!). Mas o mais interessante é que, se voltarmos à origem, x-tudo, pela lógica dos sanduíches, deveria ser um tanto de coisa junta – tudo – com queijo. Ou seja, mal precisa ser um sanduíche. Particularmente, vejo como um grande risco pedir um x-tudo. É como saber de que é feita uma salsicha, só que no caso do x-tudo a gente vê os ingredientes. São verdadeiros guerreiros os que se aventuram no mundo do x-tudo. E os famigerados que chegam até o fim merecem um prêmio. Porque a única certeza que se tem, nesse caso, é o queijo, ou melhor, o x....

terça-feira, 16 de junho de 2009

Viajando na Maiona

Eis que me coloco o seguinte questionamento: qual a origem da expressão "viajar na maionese"?



O uso dessa expressão se tornou extremamente disseminado, e todos sabemos seu significado: viajar na maionese é falar (ou mesmo pensar) algo completamente absurdo, ilógico, desprovido de sentido. Em suma, é viajar errado. Há até quem use a expressão como sinônimo de "estar errado" - digamos que seja uma forma eufêmica de elucidar para alguém sua profunda ignorância.

Contudo, nem toda viagem é errada. Existem viagens muito, muito boas. E, obviamente, não me refiro a uma viagem para a Disney. Mas viajar é sonhar, fantasiar, filosofar.... ou seja, o leque de possibilidades é imenso. Por isso, me pergunto, qual seria o problema com a maionese? Será que alguém já teve alguma viagem muito extravagante com o tal condimento? Porque, até onde sei, a maionese pode ser muito boa (claro, tem quem não goste). Inclusive, vemos por aí a também famosa (embora menos) viagem na batatinha. Essa sim, me parece uma viagem bacanérrima, sem sombra de dúvidas. Quem não gosta de batatinha?


Começo a me convencer de que ambas as expressões só podem ter surgido em um McDonald's. (Ou Bob's, Burger King, até mesmo no Giraffa's. Se bem que este último é muito novo. Vai ver que foi no trailer da esquina, onde a maionese deve ser realmente estranha). Alguns esfomeados, provavelmente numa larica brava, começaram a viajar nas batatinhas, no catchup, na maionese.... e coisa boa não deve ter saído.
Ou quem está viajando sou eu.

Explicando

Segundo a superhiperultra confiável fonte de que todos usufruímos, a internet (ou, mais especificamente, o dicionárioweb.com.br) gororoba significa “comida especialmente de má qualidade ou mal preparada; bóia, grude.” Há ainda um significado adicional, embora eu não sei onde seja usado dessa forma: S.m. Bras. (N) João-ninguém, borra-botas.

Confesso que, eu mesma, nunca (nunquinha) tinha me dado ao trabalho de procurar essa palavra. Mas procurando um nome adequado ao blog, e na falta de coisa original melhor - entenda-se como original: "um nome que ainda estava disponível", achei até interessante, dado que sou mesmo uma Maria-ninguém (mas não borra-botas, nem borra-calças ou algo do gênero).

O intuito, aqui, é postar textos, que podem ser chamados de crônicas, contos ou casos, mas na verdade são meros desenvolvimentos da minha mente ambulante. Geralmente, como esfomeada que sou, tudo tem a ver com comida (ainda que indiretamente). A gororoba me pareceu bastante adequada, um trocadilho quase perfeito relacionando os alimentos com a mistureba que se pretende estabelecer.

É isso. Que as gororobas aqui presentes possam nutrir nossa fome de humor, que sejam o conto nosso de cada dia...